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UFG promove imersão e diálogo intercultural no território indígena Akwē-Xerente

Em 20/02/26 17:45. Atualizada em 20/02/26 17:45.

Ação faz parte do 'Tempo Comunidade' da Licenciatura em Educação do Campo e fortalece a parceria entre saberes tradicionais e formação acadêmica.

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Docentes e estudantes do curso de Licenciatura em Educação do Campo (LEdoC) da Universidade Federal de Goiás (UFG), Câmpus Goiás, realizaram uma expedição de quatro dias ao território do povo Akwē-Xerente. A atividade, coordenada pelas docentes e pesquisadoras Danielle Silva Beltrão e Jáder de Castro Andrade Rodrigues, representa um exercício prático da Pedagogia da Alternância, integrando a Educação Superior à realidade dos povos originários.
​Saberes que se cruzam: Diálogos na Aldeia Paraíso
​A jornada pedagógica teve início na Aldeia Paraíso, com rodas de conversa protagonizadas pelo antigo cacique e ancião, o professor Adão Wdêrêhu. Egresso do curso de Licenciatura Intercultural Indígena da UFG, Adão simboliza o retorno social da formação acadêmica às comunidades. Suas orientações foram fundamentais para que o grupo compreendesse as complexas questões territoriais locais, subsídio essencial para a elaboração dos Cadernos de Realidade, ferramenta metodológica de registro e reflexão das/os estudantes da LEdoC.
​Durante o período, a Escola Estadual Indígena Kawē serviu como base e alojamento, consolidando-se como um espaço de acolhimento e investigação para a comitiva acadêmica.
​Investigação e Prática na Aldeia Morrão
​Na Aldeia Morrão, as atividades avançaram para o campo da Investigação-Ação Participativa. Sob a ótica da dialogicidade freiriana, os estudantes desenvolveram:
​Inventários Participativos: Levantamento detalhado de saberes e fazeres do povo Xerente sobre a biodiversidade do Cerrado;
​Mapas Falantes: Elaboração de desenhos coletivos que projetam a percepção das comunidades sobre seu território ancestral e as estruturas da aldeia.
​Além do trabalho de pesquisa, o grupo vivenciou a mística local, participando de danças, cânticos e brincadeiras tradicionais da Festa Cultural Dasiptumhã Dasīpê, evento que marca a transição para o período de seca no Cerrado e reforça a conexão espiritual e ecológica desse povo com o bioma.
​Formação Superior e Gestão Territorial
​A expedição também destacou o impacto da pós-graduação e da gestão escolar indígena. Em diálogo com o gestor da Escola Estadual Indígena Sromnõ, o professor e Mestre Sinval Waikazate (egresso da Intercultural/UFG e mestre em Linguagens pela UFT), reforçou-se o papel estratégico da formação superior para que os próprios indígenas assumam a gestão educacional em seus territórios.
​Articulação Institucional
​A realização deste Tempo Comunidade só foi possível graças à articulação entre a UFG, a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (SECADI/MEC) e a Fundação de Apoio à Pesquisa (FUNAPE). Essas parcerias garantem os recursos necessários para que a universidade rompa seus muros e se faça presente na realidade dos povos do campo, das águas e das florestas.
​A expedição reafirma o compromisso da UFG com uma educação que respeita o corpo-território, celebrando a diversidade e promovendo a justiça social no Cerrado.
​Galeria de Fotos:
1.​Estudantes durante a elaboração dos Mapas Falantes na Aldeia Morrão.
2.​Integração e atividades lúdicas com as crianças da comunidade Xerente.
3.​Momento de intercâmbio de saberes com o professor e mestre Sinval Waikazate.
4.​Registros de mística e expressões culturais tradicionais no território.

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