a

Campus Cidade de Goiás recebe Prêmio Dom Tomás Balduíno 2026 por atuação em parceria com a Reforma Agrária

En 11/08/26 10:16 . Actualizado en 11/08/26 10:16 .


Reconhecimento da Comissão Pastoral da Terra destaca a parceria da UFG com a Reforma Agrária na Cidade de Goiás

a

O Campus Cidade de Goiás da Universidade Federal de Goiás (UFG) recebeu o Prêmio Dom Tomás Balduíno 2026, concedido pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), em reconhecimento à Universidade como parceira da Reforma Agrária e de sua trajetória de atuação junto às comunidades do campo na região.

A homenagem integra as celebrações dos 40 anos dos primeiros assentamentos de Reforma Agrária na Diocese de Goiás, marco importante para a história da luta pela terra no município e em todo o estado.

A relação da UFG com as comunidades da Reforma Agrária se expressa por meio de ações de ensino, pesquisa e extensão, contribuindo para a formação acadêmica, a produção de conhecimento e o desenvolvimento de iniciativas voltadas às realidades e demandas das populações do campo.

No Campus Cidade de Goiás, essa atuação também está presente em iniciativas relacionadas à educação do campo, formação profissional, pesquisa e extensão, fortalecendo a aproximação entre a Universidade e os territórios onde está inserida.

O reconhecimento da CPT destaca a importância dessa parceria e reforça o papel da Universidade pública na construção de ações que dialogam com diferentes setores da sociedade e contribuem para o fortalecimento de direitos, da cidadania e da transformação social.

Para o Campus Cidade de Goiás, receber o Prêmio Dom Tomás Balduíno representa também uma oportunidade de reafirmar o compromisso institucional com as comunidades camponesas e com a produção de conhecimento socialmente referenciado.

40 anos de Reforma Agrária na Diocese de Goiás

Em agosto de 2026, a Diocese de Goiás celebra quatro décadas dos primeiros assentamentos de Reforma Agrária na região. A trajetória iniciada em 1986 permanece como referência para as comunidades do campo e para as organizações que acompanharam e contribuíram para esse processo.

 

A seguir, confira o texto “40 Anos de Semeadura: Jornada da Reforma Agrária e Fé Libertadora na Diocese de Goiás”, de Frei Betto, que apresenta uma reflexão sobre os 40 anos dessa história de luta, resistência e transformação social.

 

40 Anos de Semeadura: Jornada da Reforma Agrária e Fé Libertadora na Diocese de Goiás

Celebra-se neste agosto de 2026 quatro décadas de uma história que entrelaça a luta pela terra, a resistência camponesa e a atuação profética da Igreja Católica na Diocese de Goiás. Este jubileu de 40 anos dos primeiros assentamentos de reforma agrária não é apenas um marco temporal, mas um testemunho vivo de como a fé pode se tornar um motor de transformação social e materializar o sonho de uma vida digna no campo.

O ano de 1986 foi um divisor de águas. Foi quando, na região da Cidade de Goiás, nasceram os primeiros assentamentos do estado: o Mosquito e o São João do Bugre. Foram os frutos de uma longa sementeira de lutas que vinha sendo regada pela atuação da Igreja local, especialmente sob a liderança de figuras como Dom Tomás Balduíno, que desde 1968 já colocava a Diocese ao lado dos camponeses.

Esses primeiros passos foram dados em um contexto de profundas desigualdades, onde o latifúndio imperava e a vida dos trabalhadores rurais era marcada pela exploração e pela falta de direitos. A conquista dessas terras foi um marco simbólico e prático que serviu de base de lançamento para a vitoriosa luta pela terra na região, mudando para sempre a paisagem geopolítica e cultural do município.

A atuação da Diocese de Goiás não foi um fenômeno isolado. Ela se insere em um movimento mais amplo da Igreja Católica na América Latina, que, após as Conferências de Medellín (1968) e Puebla (1979), reafirmou seu compromisso com os pobres e com a justiça social. Essa opção preferencial se traduziu na criação e no fortalecimento da Comissão Pastoral da Terra (CPT), braço da Igreja dedicado a acompanhar e defender os direitos dos trabalhadores rurais.

Em Goiás, esse engajamento foi personificado em Dom Eugênio Rixen, que deu continuidade ao trabalho de Dom Tomás e consolidou a Diocese como um símbolo nacional e internacional de luta pela Reforma Agrária. A Igreja não apenas abençoava a luta; ela se tornava parte dela ao enfrentar perseguições durante a ditadura militar e ao longo de todos esses anos.

Quarenta anos depois, a semente plantada se transformou em uma floresta de conquistas. O município de Goiás, que outrora era um reduto do latifúndio, tornou-se o maior número proporcional de assentamentos do país, contabilizando 24 projetos. Uma nova fotografia se formou, onde as comunidades camponesas escrevem sua história com o suor do trabalho e a força e a união da coletividade.

O legado desses 40 anos vai além do acesso à terra. Ele representa a construção de uma nova identidade, baseada na agroecologia, na defesa do Cerrado e na produção de alimentos saudáveis, como demonstram as festas camponesas que celebram a partilha e a cultura do campo. As conquistas expressivas, como a recente criação do Projeto de Assentamento São Domingos, com a posse de 46 famílias, mostram que a luta continua e que a semente da justiça social ainda germina.

Ao celebrarmos os 40 anos de reforma agrária na Diocese de Goiás, honramos a memória dos mártires, a coragem dos que acamparam e a visão profética dos pastores que caminharam ao lado do povo. Esta trajetória de fé e resistência é um poderoso lembrete de que a justiça social é um valor evangélico fundamental.

O Jubileu não é um ponto final, mas uma oportunidade para renovar o compromisso com as famílias que ainda aguardam o acesso à terra e com as comunidades que, dia após dia, lutam para permanecer nela. Peço a Deus que a chama da CPT e o exemplo da Diocese de Goiás continuem inspirando novas gerações na certeza de que, como proclamaram os profetas, os pobres herdarão a terra e nela construirão um futuro de paz e prosperidade.

Frei Betto (freibetto.org)

Categorías: Notícias Noticias