HOMENAGEM | Maria Luiza: uma vida dedicada aos saberes, ao cuidado e ao Cerrado
Homenagem da UFG Campus Cidade de Goiás celebra a trajetória de uma mulher que fez dos conhecimentos sobre as plantas medicinais, do cuidado com as pessoas e da defesa do Cerrado parte de sua história.
Algumas pessoas deixam marcas que vão muito além do tempo em que estiveram presentes. Maria Luiza da Silva Oliveira foi uma delas.
Falecida recentemente, Maria Luiza deixa uma trajetória construída a partir do cuidado, da educação, dos saberes populares e da defesa do Cerrado. Professora aposentada, educadora popular e uma das referências da Pastoral da Saúde na Cidade de Goiás, ela dedicou parte significativa de sua vida à valorização dos conhecimentos sobre as plantas medicinais e ao cuidado com as comunidades.
Nascida em 1944, na Fazenda Gongomé, Maria Luiza aprendeu desde cedo com sua família os usos de diferentes plantas do Cerrado. Esses conhecimentos, transmitidos entre gerações, tornaram-se parte de sua caminhada e, mais tarde, de seu trabalho junto às comunidades.
Formada em Pedagogia pela UFG, Maria Luiza foi professora da rede pública por mais de 30 anos. Depois da aposentadoria, aprofundou seus estudos sobre plantas medicinais e passou a atuar ainda mais diretamente na organização da Pastoral da Saúde na região. Ao longo dos anos, participou de cursos, projetos, pesquisas e iniciativas relacionadas à saúde comunitária, às práticas integrativas e à preservação do Cerrado.
Sua história também se encontrou com o UFG Campus Cidade de Goiás. Em 2019, Maria Luiza participou de um projeto de extensão desenvolvido pela Universidade, em parceria com as mulheres da comunidade de Buenolândia. A iniciativa contribuiu para a construção de uma proposta que resultou na Lei Municipal nº 224, voltada às Práticas Integrativas e Complementares de Saúde.
O projeto de extensão “Casa de Tradições e Paisagens do Cerrado”, coordenado pela professora Luciana Helena Alves da Silva, do curso de Arquitetura e Urbanismo do UFG Campus Cidade de Goiás, também registra a atuação do grupo da Pastoral da Saúde “Maria Luiza” e das chamadas Mulheres Aroeira, mulheres do distrito de Buenolândia que mantêm vivos conhecimentos, práticas e memórias construídos nos quintais e nas comunidades rurais.
Mais do que falar sobre plantas, esses saberes falam sobre pessoas. Falam de cuidado, partilha, memória, resistência e da relação com o território. O material produzido pelo projeto destaca justamente o protagonismo feminino e a transmissão desses conhecimentos de geração em geração.
Maria Luiza foi também uma referência para comunidades rurais e para iniciativas de valorização dos saberes populares. Sua trajetória esteve ligada a ações como a Farmacinha da Pastoral, o Projeto Jatobá, a Articulação Pacari e outras iniciativas voltadas à saúde comunitária e à valorização do Cerrado.
Por isso, falar de Maria Luiza é também falar de tudo aquilo que ela ajudou a cultivar.
Cultivou conhecimentos. Cultivou cuidado. Cultivou pessoas. E ajudou a manter vivos saberes que fazem parte da história e da identidade das comunidades do Cerrado.
O UFG Campus Cidade de Goiás, por meio de suas ações de extensão, pesquisa e cultura, teve a oportunidade de caminhar ao lado dessa história e contribuir para que parte desses conhecimentos pudesse ser registrada, compartilhada e valorizada.
A homenagem também se soma ao registro audiovisual “Curandeiras” (2025), que ajuda a preservar e apresentar histórias relacionadas aos saberes e às práticas tradicionais de cuidado.

Maria Luiza parte, mas aquilo que ensinou continua circulando: nas plantas, nos quintais, nas comunidades, nas mulheres que seguem compartilhando seus saberes e nas memórias de quem teve a oportunidade de aprender com ela.
Que sua história continue sendo semeada.
